Inovar é um desafio para qualquer empresa porque significa perceber, refletir, antecipar e reagir às transformações em nosso contexto, mercado e públicos, que muitas vezes ainda são incipientes. Tais mudanças podem ser observadas — e utilizadas como uma poderosa ferramenta para a gestão estratégica de negócios — através da pesquisa e análise de tendências. “A pesquisa e a análise de tendências consistem em encontrar mindsets novos e emergentes que vão impactar a sociedade e, consequentemente, a maneira como as pessoas consomem”, diz Andrea Greca, especialista em investigação qualitativa de tendências e fundadora da agência Berlin.
De acordo com Lucas Saad, fundador e diretor da consultoria de branding e inovação Saad, os resultados desse tipo de pesquisa são muito importantes para um projeto estratégico. “Enquanto, de um lado, a essência da empresa deve se manter fiel às suas raízes, de outro, a sua promessa, seus produtos, serviços e experiências devem responder às evoluções sociais e à forma como as pessoas se adaptam a elas”, explica Saad.
Quando se fala de tendências de consumo, dois dos públicos mais analisados são as gerações Y e Z. A geração Y, também chamada de Millennials, são jovens nascidos de 1977 a 1995, de acordo com a Nielsen. Esse grupo tem grande importância, já que segundo estimativas, possuem mais de um trilhão de dólares de poder de compra, influenciando tanto o consumo de gerações mais novas quanto de mais velhas. Só no Brasil, representam atualmente mais de 45 milhões de pessoas. Os Millennials, que cresceram no contexto da virada do século e da economia global, valorizam conceitos como “coletividade”, “sustentabilidade” e “preocupação social”, por exemplo.
Já a geração Z, mais jovem e composta por indivíduos nascidos após 1996, começa agora a entrar no mercado de trabalho, de acordo com a Associação CDL/RS. Flexível e adaptável, a geração Z nasceu em uma era completamente digitalizada e não sente necessidade da distinção entre o mundo online e offline. Para eles, palavras como “fluidez”, “experimentação”, “ativismo online” e “horizontalidade hierárquica” são essenciais.
Segundo Andrea, a principal função do trabalho de pesquisa e análise de tendências é ajudar a combater a imprevisibilidade em processos de inovação. “Cruzar dados de tendências com informações oriundas de pesquisa de mercado possibilita uma diminuição considerável de riscos”, diz. Para Saad, é imprescindível para uma empresa entender o que o consumidor espera e de que forma isso vai mudar a curto e longo prazo. “Trabalhar com essa metodologia nos aproxima do consumidor e nos permite olhar de forma objetiva para todos os ângulos de um negócio, gerando insights para nossos clientes e também antecipando a forma como os concorrentes e o mercado irão reagir às transformações externas”, explica.
Realizar um trabalho assertivo de análise de tendências é parte fundamental do processo de branding (gestão estratégica de negócios) para que empresas entendam como a cultura funciona e se transforma, construindo um futuro com propósito onde marcas e pessoas realmente dialoguem.